Mosaicos: quais polígonos ladrilham o plano
Veja quantos polígonos regulares cabem em volta de um vértice, por que só triângulo, quadrado e hexágono ladrilham sozinhos, e as oito configurações semirregulares que somam 360°.
Veja quantos polígonos regulares cabem em volta de um vértice, por que só triângulo, quadrado e hexágono ladrilham sozinhos, e as oito configurações semirregulares que somam 360°.
Ladrilhar (ou cobrir, ou pavimentar) o plano é preencher toda a superfície com polígonos que não se sobrepõem e não deixam buracos. Pisos de casa, parede de banheiro e tecidos de estampa usam padrões de ladrilhamento. A pergunta clássica é: quais polígonos regulares sozinhos conseguem isso?
Em um ladrilhamento regular, os polígonos encontram-se em vértices. Em torno de cada vértice, os ângulos internos dos polígonos que se encontram ali devem somar exatamente 360°: uma volta completa. Se a soma for menor, sobra um buraco; se for maior, os polígonos se sobrepõem.
O ângulo interno de um polígono regular de n lados é
ângulo interno = 180° - 360° / n
Para que um polígono sozinho ladrilhe, 360° tem de ser múltiplo exato do ângulo interno, ou seja, 360 / (180 - 360/n) deve ser inteiro.
Para n = 5 ou mais, nenhum outro funciona sozinho: o pentágono tem 108° (três cabem e sobram 36°); o octógono tem 135° (dois cabem e sobram 90°, mas 360 / 135 não é inteiro); o dodecágono tem 150°, e assim por diante. Os ângulos internos crescem com n e se aproximam de 180°, então é cada vez mais difícil fechar uma volta com um número inteiro deles.
A conta é simples: 360 / (180 - 360/n) só é inteiro para n = 3, 4 e 6. Não há outra solução entre os polígonos regulares. Assim, se você quer um padrão feito só de um tipo de polígono regular, a escolha é triângulo, quadrado ou hexágono.
Podemos usar mais de um tipo de polígono regular, desde que, em cada vértice, a sequência de polígonos seja sempre a mesma e some 360°. Essas são as configurações de Arquimedes (ou semirregulares). Existem oito. Cada uma é descrita pela sequência de lados dos polígonos em volta do vértice:
Por exemplo, em 3.4.6.4 (triângulo, quadrado, hexágono, quadrado): 60 + 90 + 120 + 90 = 360°. Em 4.8.8: 90 + 135 + 135 = 360°.
Cada uma das oito configurações tem, em todo vértice, polígonos cujos ângulos somam exatamente 360°, e o padrão se repete por translação, então a mesma soma vale em todos os vértices. A soma de 360° é necessária, mas não basta: os polígonos também precisam se encaixar lado a lado sem sobrar frestas. A aula confere a soma pelos ângulos; que essas oito são todas as configurações é um resultado clássico, que esta aula não demonstra.
Em 1619, Johannes Kepler já havia estudado os mosaicos do plano, e a classificação completa dos ladrilhamentos com polígonos regulares foi feita há séculos. Os mosaicos de Escher, com pássaros e peixes, são feitos com polígonos deformados que ainda obedecem a essa regra de 360° em cada vértice.
Por que o pentágono regular não ladrilha o plano? Quantos cabem em volta de um vértice e qual é a folga?
Use o modo regular com n = 5. O ângulo interno é 108°; 360 / 108 não é inteiro.
Encontre uma configuração semirregular que use apenas triângulos e hexágonos. Ela ladrilha o plano?
Use o modo semirregular e leia a soma em torno do vértice de cada configuração.
Por que um ladrilhamento com octógonos sozinho não é possível, mas com quadrados é?
O ângulo interno do octógono é 135°. Compare com 360° e veja o que sobra em volta de um vértice.
Quantos triângulos equiláteros cabem em volta de um vértice? E quantos hexágonos?
Divida 360° pelo ângulo interno de cada polígono e observe os valores no painel de resultados.
Nenhuma aula usa esta como pré-requisito ainda.
Cada conceito leva à lista de aulas que o usam, por disciplina.
Trilha de estudo: Geometria · Mapa de conceitos