Por que existem infinitos primos (Euclides)
Multiplique primos, some 1 e veja o resto 1 em cada um; o fator primo novo aparece sempre, o que mostra que nenhuma lista de primos está completa.
Multiplique primos, some 1 e veja o resto 1 em cada um; o fator primo novo aparece sempre, o que mostra que nenhuma lista de primos está completa.
Os primos ficam mais raros conforme os números crescem: há 25 primos até 100, e apenas 168 até 1000. Mas será que, em algum ponto, eles acabam? Euclides respondeu a essa pergunta com uma das provas mais elegantes da matemática, e ela continua valendo sem mudanças.
Suponha, por absurdo, que existam só finitos primos: p₁, p₂, …, pₙ. Multiplique todos eles e some 1. Chame o resultado de N.
O número N não é divisível por nenhum dos primos da lista, porque sempre sobra resto 1. Mas todo número maior que 1 tem pelo menos um fator primo. Esse fator primo novo não está na lista, o que contradiz a suposição.
Portanto a lista nunca pode ser completa. Sempre existe um primo além de qualquer limite.
Na aula, você pode montar a lista como quiser. O painel mostra o produto, N, os restos de N em cada primo (sempre 1) e a fatoração de N. Quando o fator novo aparece, a contradição está à vista.
A prova garante que há infinitos primos, mas não diz onde eles estão nem como encontrá-los. Ela também não diz que N é primo: às vezes N é composto, como em 2·3·5·7·11·13 + 1 = 30031 = 59 · 509. O argumento só precisa de um fator primo novo, e isso sempre existe.
Também não diz que o fator novo é necessariamente grande. Com a lista 3, 5, 7, temos N = 106 = 2 · 53: o fator novo é o 2, que estava fora da lista, e o 53 também. A prova só afirma que algum primo novo existe.
A estrutura é a de uma prova por absurdo: supomos uma hipótese (a lista é completa) e chegamos a uma consequência impossível (existe um primo fora dela). Logo a hipótese é falsa. É o mesmo tipo de argumento que aparece em muitos resultados de teoria dos números.
A prova está no livro IX dos Elementos, por volta de 300 a.C. Euclides a apresenta com palavras, sem símbolos algébricos, e ela continua a ser a referência para o tema. Desde então, outras provas apareceram, como a de Euler, que usa séries, mas a de Euclides é a mais direta.
Os primos de Mersenne (2ⁿ − 1 quando primo) são os maiores primos conhecidos, e a busca deles é feita por computadores em projetos voluntários. O maior conhecido tem milhões de algarismos, mas a prova de Euclides garante que sempre existirá um maior.
Resposta: porque deixa sempre resto 1 ao ser dividido por cada um deles. Não é porque N é sempre primo, nem porque é sempre par.
Resposta: que nunca existe uma lista finita com todos os primos. Não afirma que N é sempre primo.
Escolha os primos 2, 3, 5, 7, 11 e 13. Qual é o fator primo novo de N = produto + 1?
Use o preset '2·3·5·7·11·13 + 1' e leia a fatoração no painel: o fator que não está na lista é o novo.
Encontre uma lista de primos em que N = produto + 1 seja um número primo.
Teste com 2 e 3 (N = 7, primo) e depois com 2, 3 e 5 (N = 31, primo). Veja quando o padrão quebra.
Por que N nunca é divisível por um primo da lista? O que o resto 1 diz?
Cada primo da lista divide o produto, então N = produto + 1 deixa resto 1 na divisão por cada um deles.
Tente com a lista 3, 5, 7. O fator novo é 2. Por que a prova não diz que 2 é novo se ele não está na lista?
Compare com a lista 2, 3, 5, 7; a prova só garante que existe um primo fora da lista, não qual é.
Cada conceito leva à lista de aulas que o usam, por disciplina.
Trilha de estudo: Números · Mapa de conceitos