Reta de Simson, triângulo de Morley e triângulo de Napoleão
Esta aula reúne três resultados clássicos sobre um mesmo triângulo ABC. Cada um parece um truque, mas todos são consequências de contas simples de distância e ângulo.
1. Reta de Simson
Dado um ponto P, trace as perpendiculares de P aos três lados (ou às retas dos lados). Os três pés, D sobre BC, E sobre CA e F sobre AB, formam o triângulo dos pés ou triângulo pedal de P.
Teorema: os pés estão alinhados se e somente se P está sobre o circuncírculo do triângulo. A reta que passa pelos três pés é a reta de Simson de P.
No painel, a área do triângulo dos pés aparece ao lado da previsão de Euler. Com o botão Prender P ao círculo circunscrito ligado, P fica sobre o círculo, e a área é zero: os pés estão alinhados. Desligue a opção ou use P fora do círculo e a área cresce.
Fórmula de Euler para o triângulo dos pés
Área(DEF) = |R² − OP²| / (4R²) · Área(ABC)
Onde O é o circuncentro e R é o circunraio. Essa fórmula dá a condição de Simson de uma vez: a área é zero exatamente quando OP = R.
2. Triângulo de Morley
Trisseccione os três ângulos do triângulo, isto é, divida cada ângulo em três partes iguais. Para cada lado, tome as duas trissetrizes que são adjacentes a ele (uma de cada vértice do lado) e marque o ponto onde elas se cruzam. Os três pontos formam o triângulo de Morley.
Teorema de Morley: o triângulo de Morley é sempre equilátero, qualquer que seja o triângulo ABC.
No painel, os três lados do triângulo de Morley aparecem iguais, e a linha Morley é equilátero? confirma isso. Clique nas predefinições para ver o resultado em cada tipo de triângulo.
3. Triângulo de Napoleão
Sobre cada lado do triângulo ABC, construa um triângulo equilátero. Se a construção é feita para fora de ABC, temos o caso externo; para dentro, o interno. Os centros dos três equiláteros formam o triângulo de Napoleão.
Teorema de Napoleão: o triângulo de Napoleão é sempre equilátero, nos dois casos.
Na aula, ligue o triângulo de Napoleão e compare os lados externo e interno. A atribuição do teorema a Napoleão Bonaparte é lendária; não há registro que a confirme.
Por que é verdade
A fórmula de Euler para a área do triângulo dos pés pode ser verificada com coordenadas: a área é uma função de P que se anula exatamente sobre o circuncírculo, e a expressão |R² − OP²| / (4R²) · Área(ABC) reproduz esse comportamento. O programa confere essa igualdade para cada posição de P; a demonstração completa usa trigonometria dos triângulos formados por P e pelos vértices e não é reproduzida aqui.
O teorema de Morley tem prova clássica longa, baseada em trigonometria com ângulos da forma 60° ± θ, em que θ é um terço do ângulo do vértice. Aqui ele é apenas verificado numericamente em todas as predefinições.
Para Napoleão, a demonstração clássica usa rotações de 60°: girar um vértice em torno do centro de um equilátero leva um lado ao outro, o que produz triângulos congruentes e mostra que os lados do triângulo de centros são iguais.
Aplicações
- Geometria de olimpíada: a reta de Simson é usada para mostrar que três pontos são colineares, uma das ferramentas mais usadas em problemas de concorrência.
- Triângulo de Morley: é um exemplo de como uma construção aparentemente arbitrária produz uma figura muito regular, o que motiva estudos de simetria em geometria.
- Napoleão: o resultado mostra que equiláteros erguidos sobre um triângulo qualquer criam uma nova figura regular, e essa ideia leva a generalizações como os centros de simetria de polígonos.
Curiosidade
A reta de Simson leva o nome de Robert Simson, matemático escocês do século XVIII, mas o resultado foi publicado pela primeira vez por William Wallace em 1799. O teorema de Morley foi descoberto por Frank Morley em 1899, e ficou conhecido por ser tão surpreendente que muitos matemáticos o demonstraram de formas diferentes ao longo do século XX.